— Parte 2 de 2 (Ler Parte 1) —
No meio do turbilhão que é a vida moderna, muitos de nós temos os dias preenchidos com uma panóplia de compromissos e responsabilidades, dos quais o trabalho frequentemente consume a maior parte do nosso tempo. Nesta sociedade, o sucesso é muitas vezes medido pela produtividade e conquistas profissionais, sendo fácil cair na armadilha de deixar que o nosso ofício consuma a nossa vida, relegando para segundo plano o nosso bem-estar físico e mental. No entanto, quando o nosso “balde enche”, é crucial parar e reavaliar as nossas prioridades.
O primeiro passo para lidar com o nosso “balde cheio” é inevitavelmente reconhecer os sinais. Sentimentos de exaustão, irritabilidade constante, falta de motivação e dificuldade na concentração podem ser indicadores de que estamos sobrecarregados e é urgente desacelerar. Muitas vezes acabamos por ignorar estes indícios, convencendo-nos de que precisamos permanecer neste trilho desenfreado, mas é importante lembrar que não somos máquinas – necessitamos de descanso!
Uma vez reconhecido que o nosso “balde está cheio”, devemos fazer do autocuidado uma prioridade. Tal pode significar diferentes coisas para diferentes pessoas, mas em essência, trata-se de reservar tempo para cuidar de nós mesmos. Isso pode incluir práticas como exercício físico regular, meditação, hobbies, ou simplesmente tirar tempo para relaxar e recarregar baterias. Não nos devemos sentir culpados por reservar esse tempo para nós mesmos – é essencial para o nosso bem-estar e saúde mental.
Além disso, também é vital estabelecer limites no contexto laboral. Assim, pode significar aprender a dizer não a tarefas extra quando já estamos assoberbados, definir horários de trabalho razoáveis e respeitar esses limites, e comunicar claramente as nossas necessidades. Muitas vezes, tememos que estabelecer fronteiras nos torne menos produtivos ou valorizados, quando na realidade nos torna mais eficazes e resilientes a longo prazo.
Por fim, é importante sublinhar que não estamos sozinhos. Quando o nosso “balde está cheio”, não hesitemos em procurar ajuda profissional. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, mas sim de coragem e de autocompaixão. Somente ao priorizar a nossa saúde mental poderemos prosperar num mundo que muitas vezes parece determinado a esgotar-nos.
Por: Filipa de Freitas
Psicóloga Clínica com interesse nas áreas de ansiedade, luto, perturbações de humor, igualdade de género, violência domestica e de género.

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