— Parte 1 de 2 (Ler Parte 2) —

Nos dias de hoje, o trabalho tornou-se uma dependência. É através do mesmo que se consegue a retribuição monetária principal para que se consiga satisfazer as necessidades básicas, fazendo com que ganhe um peso gigante nas decisões de vida que se tomam.

Assim, há cada vez mais pessoas a ter mais do que um emprego por vezes só para conseguir pagar as contas. São cada vez mais pessoas a fazer horas extra e a ter o trabalho como prioridade. Os dias parecem um loop de desespero, nos quais se entra em piloto automático e num breve fechar de olhos, se acorda só para que se volte a repetir.

Será esta rotina diária saudável ou até mais produtiva? Será que a frase “eu descanso quando morrer” se tornou um mandamento crucial na vida das pessoas?

A realidade é que, quanto mais esta rotina for levada a cabo, sem tempo de qualidade ou de lazer, mais as pessoas entram num estado de exaustão psicológica sem sequer se aperceberem dos sinais. Vive-se a vida a correr, sem ter tempo para parar e aproveitar as conquistas, sempre com um constante sentimento de culpa quando se tira tempo para nós.

Contudo, para se perceber o quão em causa está a saúde mental, imaginemos um balde que está a servir de suporte para a água que cai de uma torneira que pinga incessantemente. O que acontece irremediavelmente? O balde vai encher. Imaginemos agora que alguém abre a torneira e não retira o balde. Inevitavelmente o balde esborda. Agora nesta analogia substituam o balde pela saúde mental e a torneira pelo trabalho. Enquanto se permitir que o mesmo esteja constantemente a consumir tempo e energia às pessoas – sem que se proporcionem momentos de lazer, de autocuidado ou de descanso – um dia irá extravasar. A longo prazo, os sinais de cansaço psicológico começam a evidenciar-se, as pessoas começam a ficar com menos paciência e, consequentemente, a reagir de maneira mais irritada perante outros. Estas atitudes, podem levar a um ciclo de interações sociais menos empáticas, menos preocupação com o próximo (porque nem tempo para haver preocupação consigo mesmo existe) e ao comprometimento da presença em momentos especiais, entre várias outras consequências graves. Além do mais, pode fazer com que o corpo comece a demonstrar sinais de desgaste e a apresentar sintomatologia que não existia previamente.

Por isso, deixo aqui a reflexão: “Como está o teu balde?”

Uma resposta a “Tão Pouco Tempo para Tanta Necessidade de Saúde Mental (Parte 1)”

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