Numa era cada vez mais digital onde “vidas perfeitas”, julgamento e a influência da opinião alheia são uma constante, hoje decidi refletir contigo sobre o que é isto do relacionamento/amor perfeito escrutinado e debatido digitalmente e que te pode fazer sentir que o teu relacionamento não está “como deveria”. Para isso escrevo hoje sobre as fases do amor.

Antes de seres um casal és um ser individual com a tua história de vida, a forma que aprendeste a dar e a receber amor, alguém que naturalmente pode ter receios e inseguranças, alguém que sonhou com uma vida a dois ou pelo contrário alguém que está confortável, feliz e realizado sendo solteiro. Mas acredito que muitos de vocês já pensaram sobre o amor e para cada um de nós esta emoção tem significados e forma de expressão diferentes. Apesar da tua individualidade um tema tão comum e falado pode gerar algumas inseguranças e frustrações, foi por isto que decidi escrever-te sobre as fases do amor, aquilo que sabemos que é natural acontecer. Claro que num google it sobre este tema podes encontrar nomenclaturas diferentes e mais ou menos fases, mas fiz um “sumo” do essencial e compilei a informação para ti.

Ilustração que representa o amor romântico

Comecemos por refletir sobre aquela que se pensa ser a primeira fase, para a maioria dos casais, a atração. Quando conheces alguém de forma inesperada ou o amigo do amigo, até aquela vizinha por quem eras secretamente apaixonado na adolescência ou até mesmo aquela pessoa que acabaste de conhecer online. Neste momento fantasias sobre como será conhecer essa pessoa, como será ter relações sexuais com ela, mesmo que já tenhas tido alguns encontros com esta pessoa até sorris para o telemóvel quando falas com ela, fantasias como será a próxima vez que se encontrarem, é como se tivesses enfeitiçado.

A fase da paixão ou lua de mel é aquela em que depois de vários encontros, conversas no whatsapp até de madrugada, percebes que essa pessoa te afetou profundamente e podes até pensar que este é o amor da tua vida. Estás tão apaixonado que não vês defeitos, mas esta fase não é eterna nem deveria de ser porque o corpo está, ainda que não pareça, a gerar stress. É este chamado eustress ou stress positivo que te faz sentir as tais “borboletas na barriga”. Apesar de podermos querer que esta fase seja eterna a natureza leva-nos, e bem, gradualmente a um estado de estabilidade porque se assim não fosse provavelmente ficaríamos doentes pois a paixão é um estado de caos e ativação para o nosso corpo.

Numa chamada terceira fase surge a desilusão ou desencantamento. É aqui que tiramos as lentes da paixão e percebemos a cegueira que nos provocava, é precisamente quando termina a fase da paixão e se inicia a de desilusão que alguns casais sentem que estão a passar por uma crise na relação. É por esta altura que se começam a ver os defeitos do outro, que surgem pensamentos como “será que ainda gosta de mim?”, começamos a fazer e a receber pedidos de mudança como forma de acalmarmos estes pensamentos e gerirmos o “confronto com esta nova realidade”. Se os conflitos forem geridos de uma forma funcional e adaptativa o vínculo construir-se-á de forma saudável. Neste vínculo o casal ajusta-se um ao outro o que não significa conformar-se ou perder a identidade, significa comunicar de forma assertiva expondo necessidades e limites e em conjunto encontrar possíveis soluções com as quais ambas as partes se sintam confortáveis.

Ilustração que representa o amor romântico

E a última fase de que te quero falar é a do amor maduro, da relação estável. Esta fase caraterizada por uma sensação de tranquilidade e estabilidade pode, por vezes, ser interpretada como aborrecida, sem amor, mas na verdade o amor existe apenas é vivido de forma diferente. A paixão torna-se um sentimento mais elaborado e complexo, torna-se amor. Aqui o outro é visto como um apoio, onde predomina a comunicação, o diálogo, a negociação, constróis um compromisso e tomam em conjunto decisões mais profundas e racionais.

Esta é a forma como decidi expor o amor e propor-te refletir sobre ele. Em cada amor, em cada relação podemos sentir, fazer e viver de formas diferentes, podemos fomentar a fase da paixão quando já é amor, podemos voltar a sentir desilusão quando já é amor ou enquanto é paixão, podemos fomentar a atração. Podemos ser tudo e fazer tudo no amor desde que faça sentido e seja prazeroso, tranquilo e importante para ambas as partes. Respeita-te e respeita a pessoa com quem estás, cuida de ti e não te esqueças do outro, vive a tua relação e não a compares sistematicamente com as demais, ouve o teu corpo, os teus sentimentos e vive a relação sendo o teu melhor amigo e não o teu pior inimigo.

Uma resposta a “O Amor Romântico”

  1. […] sequência do meu artigo anterior, onde abordei as fases do amor romântico, hoje gostaria de refletir sobre alguns mitos das relações. Como seres sociais inseridos em […]

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