A relação entre pais e filhos adolescentes é um tema já bastante discutido, e uma fase que os pais e as famílias receiam sempre bastante. Nos dias de hoje, é cada vez mais comum observar dois caminhos nesta fase do desenvolvimento: (1) por um lado, uma grande dependência dos pais, por outro (2) um total afastamento dos mesmos.
Ambos os extremos trazem desafios significativos. A dependência excessiva impede que o adolescente desenvolva a sua autonomia, capacidade de tomar decisões, resolver problemas e assumir responsabilidades (competências fundamentais que se desenvolvem nesta fase da vida). Muitos pais, por medo de verem os filhos sofrer, acabam por controlar demasiado a vida deles(parentalidade Helicóptero), o que resulta em jovens, inseguros, despreparados para lidar com a vida adulta e emocionalmente frágeis, problemas estes que muitas vezes se mantêm ou pioram na idade adulta.
Por outro lado, o afastamento total entre pais e filhos também é, obviamente, prejudicial. Quando o adolescente se sente constantemente incompreendido, julgado ou ignorado, tende a isolar-se. A falta de comunicação, empatia e presença dos pais pode agravar/ provocar sentimentos de solidão, ansiedade e até depressão. Muitos adolescentes ouvem constantemente frases como: “Isso é só uma fase.”; “São coisas da adolescência.”; “Tomara que esta fase passe rápido”; ou “Nesta idade é tudo um drama, depois passa.”. Embora estas expressões sejam frequentemente ditas sem má intenção e muitas vezes até de forma inconsciente, é importante reconhecer o impacto emocional que podem ter. Frases como estas, transmitem a ideia de que os sentimentos do adolescente não são válidos ou importantes. Isso pode gerar uma sensação profunda de incompreensão e/ou abandono – pensamentos como “ninguém me compreende” ou “estou sozinho/a nisto” tornam-se comuns. Quando os jovens não encontram um espaço seguro para se expressarem dentro do ambiente familiar, acabam muitas vezes por procurar apoio noutros contextos, que nem sempre são seguros ou saudáveis (sendo esse contexto hoje em dia maioritariamente as redes sócias). Reconhecer a dor e as emoções dos adolescentes, mesmo quando nos parecem exageradas ou confusas, é fundamental. Ouvir sem julgamento, validar o que sentem e criar um ambiente de confiança pode fazer toda a diferença na saúde emocional dos mesmos.
É fundamental encontrar um equilíbrio. Os pais devem estar presentes sem serem invasivos, disponíveis para apoiar, mas, ao mesmo tempo, respeitarem o espaço e a individualidade dos filhos. Já os adolescentes precisam de compreender que a procura por independência e individualidade não exige um corte radical dos laços familiares, mas sim uma (re)construção saudável de limites e responsabilidades. Embora hoje em dia existam uma série de desafios e novidades constantes, como o uso intensivo da tecnologia, a exposição nas redes sociais ou a pressão para corresponder a padrões irreais, estas questões ligadas à relação entre pais e filhos adolescentes são, na verdade, intemporais. A necessidade de pertença, de compreensão e de construção da identidade sempre fizeram parte da adolescência, independentemente da época. O que muda são os contextos e os meios, mas a essência dos conflitos geracionais e emocionais mantém-se: os adolescentes continuam a querer ser ouvidos, respeitados e compreendidos, enquanto os pais continuam a tentar equilibrar o instinto de proteção com o desejo de educar para a autonomia. É neste equilíbrio delicado que reside o verdadeiro desafio da parentalidade nesta fase da vida.
Esta fase da vida é, sem dúvida, desafiante para ambos os lados. Mas com diálogo, escuta ativa e respeito mútuo, é possível transformar este momento de transição numa oportunidade de crescimento, tanto para os filhos, como para os pais e famílias.
Por: Mafalda Hormigo
Psicóloga Clínica com maior foco em crianças, adolescentes e jovens adultos e autora deste ebook.

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