Quem não se recorda da animação de chegar o Natal e querer desembrulhar um presente? A animação de saber que o dia ia chegar e querer que fosse o mais rápido possível. Pode-se recordar dos tempos em criança em que ficava ansioso por isso.

Alguma vez deu por si a brincar com ele no primeiro dia e depois passado 1 mês a deixar de lado?

Talvez tenha passado por dificuldades e não tivesse o luxo de ter um presente no Natal e já ficasse contente por ter comida na mesa e uma casa quente… As nossas necessidades têm destas coisas. Só pensamos em brinquedos depois de barriga cheia e um teto. E se lhe disser que hoje que nem todos os presentes podem ser oferecidos e embrulhados?

Quem não gosta de ter algo para encher a casa? Quem nunca sentiu vontade de comprar algo ao estar triste?

Pois bem, não é estranho, é algo bastante comum e que tem aumentado. Olhamos para qualquer lado, telemóveis, tv e vemos anúncios em tudo. Fica mais feliz se comprar este carro. A vida só faz sentido se tiver esta roupa para ter o emprego. Todos estes bens parecem querer resolver os nossos problemas e libertar-nos para uma vida mais leve.

Mas há quem diga também que até tem necessidade de destralhar”. Que se chega a um ponto em que se começa a ter tudo tao cheio, que não há espaço para viver. Casa cheia, não há espaço para passar, sem ser preocupações de como vou arrumar e limpar…

O que seria suposto ajudar começa a tornar-se mais uma preocupação. Talvez tenha sentido cansado em casa, durante os confinamentos, pois pode ter-se confrontado com o que incomodava na casa e que agira passa 24 horas a olhar para isso. Parece que fica maior e cada vez pior.

Se pensar que dinheiro é uma bênção e que todos temos direito, não estou a apelar ao contrário. Pergunto-lhe até que ponto seria mais feliz se pudesse ter 1000 mil euros na conta bancaria? O que o impede de se comportar com se tivesse esse dinheiro, a sua confiança, postura?

Pessoas que levam o hábito de encher com bens materiais, seja em casa, no carro, roupas por ai fora, contam em primeira mão que aquela sensação de bem estar é passageira. No momento seguinte, voltam a sentir-se em baixo, parece que o vazio ficou lá e a conta bancaria ainda mingou…

Torna-se um ciclo diferente de romper. Mas não tem de ser assim… Se sente que a vida é feita daquilo que podemos comprar e está bem para si, ótimo. Se sente que os bens que tem não lhe trazem alegria extra mas ainda não para de comprar novos, pode estar na altura de apoio psicológico. Até que ponto uma vida é positiva se contamos o que valorizamos com objetos?

— Por Lúcia Menezes | Marcar Consulta —

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