A aceitação da comunidade LGBTQIA+ pela sociedade continua a ser uma questão fulminante em muitas sociedades ao redor do mundo. Embora os direitos civis dessa comunidade tenham avançado em muitos países, o preconceito e a discriminação permanecem profundamente enraizados em diversos contextos sociais, culturais e religiosos. Se questionarmos o porquê de tal acontecer, verificamos que a raiz dessa dificuldade está na resistência ao que é diferente. A nossa sociedade, de modo geral, é pautada por normas heteronormativas, que estabelecem a heterossexualidade como a norma e qualquer outra orientação sexual ou identidade de género como desviante. Essa visão binária e limitante faz com que a aceitação da comunidade LGBTQIA+ seja vista como uma ameaça ao mundo em que vivemos. A ideia de desvio foi defendida durante séculos, nos quais a homossexualidade era vista como uma doença e a identidade género não normativa tinha uma designação no Manual da Saúde Mental, como uma doença mental. Todas estas questões sociais e históricas, fizeram com que fossem criados preconceitos enraizados, não permitindo conforto das pessoas LGBTQIA+ para se assumirem perante a sociedade, vivendo – muitas vezes – no medo e na não pertença. Outro fator que contribui para a dificuldade de aceitação reside no preconceito enraizado e na desinformação. Como referido previamente, muitos dos preconceitos existentes em relação à comunidade LGBTQIA+ são alimentados por mitos e estereótipos equivocados, perpetuados por discursos retrógrados e muitas vezes por lideranças religiosas ou políticas conservadoras. Ou seja, a falta de uma educação inclusiva – em casa, na escola ou até mesmo nas redes sociais – que trate o género e sexualidade de maneira aberta e informada, gera espaços para o medo e a intolerância. Dessa forma, observa-se que uma das maiores inquietações reportadas por pessoas da comunidade é a dificuldade de coming out, principalmente para os familiares mais próximos. O facto de muitas vezes serem educados com desinformação e com valores heteronormativos, cria uma ideia errónea de não estarem “certos”, de não pertencerem ou de serem diferentes. Estes pensamentos podem levar a que a pessoa reprima o que é e sente, criando um sentimento de não pertença e insatisfação, podendo inclusivamente despoletar questões de ansiedade e sintomatologia depressiva. A aceitação da comunidade LGBTQIA+ não se trata apenas de uma questão social, mas de uma questão que envolve pessoas e as suas vidas individuais. É necessário não ver a aceitação e o respeito à diversidade sexual e de género apenas como algo que se tem de tolerar, mas sim reconhecer a dignidade e o direito de cada indivíduo de ser quem é. O respeito e a inclusão passam por reconhecer que a diversidade sexual e de género faz parte da condição humana e que todos, independentemente da sua identidade, merecem viver com dignidade, segurança e liberdade. A luta pela aceitação é uma luta por um mundo mais justo e igualitário para todos. Assim, a aceitação só será alcançada quando deixarmos de ver a diferença como um problema e passarmos a vê-la como uma expressão natural da humanidade. Afinal, o amor e a identidade são aspetos profundamente pessoais e não deveriam ser motivo de opressão, nem sequer de opinião.

— Por Filipa de Freitas | Marcar Consulta —

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