O regresso ao trabalho ou aos estudos pode gerar ansiedade. É natural para uma mente ansiosa, que quer controlar ao pormenor o que vai acontecer, criar vários cenários de tudo o que pode correr mal neste regresso. A criação destes cenários catastróficos que nos fazem sentir sufocados e em perigo, antes mesmo de algo acontecer, causam no presente todas as emoções, sensações e pensamentos como se tivéssemos a viver exatamente o que a nossa mente está automaticamente a criar.

Por outro lado, podemos sentir uma ansiedade normativa de quem se prepara para o regresso à rotina, compromissos, trabalho, mas nada que nos cause sofrimento, que nos faça antecipar dolorosamente algumas situações, nada que leve os “e se” ao extremo.

Quer sejas uma pessoa que está vivenciar uma perturbação ansiosa quer sejas alguém que sente aquele nervoso miudinho do regresso à rotina deixo-te aqui algumas sugestões:

  • O regresso não tem que ser caótico nem assustador. Encara este regresso de uma outra perspetiva e inicia-o cuidando de ti, colocando limites e tornando-o o mais tranquilo possível;
  • Lembra-te que, provavelmente este não é o teu primeiro regresso, já aqui estiveste e conseguiste passar por isso, a tua vida continuou após este regresso;
  • Tenta não regressar das férias exatamente no último dia para te poderes organizar antes de retomares a tua rotina;
  • Organiza e retoma os teus horários de sono;
  • Regressa à rotina progressivamente, é normal que nos primeiros dias não sejas tão produtivo/a, volta com calma e tolerância ao foco nas tuas tarefas, sê gentil contigo;
  • Faz uma lista de prioridades para a primeira semana de regresso;
  • Neste regresso não te esqueças de cuidar de ti, prioriza o teu cuidado diário;
  • Socializa, passa tempo com quem gostas;
  • Conversa sobre o que sentes, sobre o que precisas, sobre o que planeias.

Mas, se este regresso está a ser muito doloroso porque sabes que vais voltar a uma rotina caótica, onde te é exigido dar mais do que é humanamente possível nas horas de trabalho que tens, se regressas para algo que sentes que é um suplício fazer diariamente, se voltas para algo que não te dá prazer, se voltas para algo que sentes que é um fardo, se voltas para algo que te consome e sufoca, reflete. O trabalho e os estudos podem ser muitos importantes e úteis, organizadores da tua vida, mas a vida é para viver e não para sobreviver. Pede ajuda se sentires que é importante, mas nunca te coloques em último, nunca coloques a tua saúde mental e o teu bem-estar como secundários, as férias não são o comprimido milagroso que te vai curar do burnout ou ansiedade, as férias não substituem a terapia.

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