Vivemos numa era de grandes mudanças e em que, o que conhecíamos como “estabilidade profissional”, já não é sinónimo de segurança.
Acompanhamos hoje muitas pessoas, com empregos considerados “bons”, mas que sentem algum tipo de desconforto silencioso que vai aumentando ao longo do tempo — uma sensação de que algo não está bem, de que há alguma coisa fora do lugar. Essa sensação de inquietação, que começa por dentro, é o primeiro sinal de que uma nova etapa está por vir. Mas, ao contrário do que se pensa, mudar de carreira não começa apenas com a atualização do tão importante currículo ou pelo envio de candidaturas em massa.
A verdadeira transição tem de começar de dentro para fora.
Começa pelo autoconhecimento: “quem sou”; “quais os valores de que não abdico” e “o que realmente me faz feliz”.
A neurociência já comprovou a neuroplasticidade do nosso cérebro — ou seja, a capacidade de se adaptar e de criar novas conexões ao longo da vida (Doidge, 2007).
Isso significa que não precisas ficar presos às tuas primeiras escolhas. Podes ressignificar experiências, desenvolver novas competências e transformar a tua identidade profissional. Mas, para que isso aconteça, é preciso iniciares um processo de escuta e conhecimento interno. O coaching executivo, por exemplo, parte exatamente desse ponto: entender quem és hoje e quem desejas ser, e assim montar a melhor estratégia para que atinjas o(s) teu(s) objetivo(s).
A tua mudança começa pelo autoconhecimento.
Segundo a Teoria da Autodeterminação (Deci & Ryan, 2000), o alinhamento das nossas ações com os nossos valores pessoais, promove um bem-estar duradouro e uma motivação genuína. Quando consegues entender o que realmente valorizas — autonomia, liberdade, criatividade, estabilidade, impacto social — consegues fazer escolhas mais coerentes e minimizar a armadilha de teres de viver no piloto automático a vida toda. Isso reflete-se diretamente no teu corpo através de mais energia, foco e clareza para alcançares os objetivos que te fazem mais sentido.
Outro ponto essencial neste processo é a autoestima.
Mudar exige muita coragem e resiliência. Envolve sair da zona de conforto em que se está, correr alguns riscos e enfrentar uma panóplia de incertezas. A Psicologia Cognitivo-Comportamental explica que a forma como interpretamos os nossos momentos de fracasso e os nossos momentos de sucesso, vai impactar diretamente na nossa autoconfiança (Beck, 1995).
Para encarares os desafios como uma parte natural do processo evolutivo e não como uma ameaça, tens de trabalhar a tua mente para aceitar que as habilidades podem sempre ser aprendidas e que essa evolução é o que pode fazer a diferença na tua vida.
Neste sentido, o papel das emoções torna-se essencial. Conseguir reconhecer e gerir as emoções como a ansiedade, a frustração e o medo, vai permitir que consigas fazer escolhas mais conscientes, melhorar os relacionamentos no local de trabalho e evitar o esgotamento emocional (Daniel Goleman, 1995).
Decisões são tomadas com o coração e justificadas com a razão.
O cérebro humano responde em primeiro lugar aos estímulos emocionais e só depois processa as informações racionais. É por isso que, quando alguém se sente reconhecido, valorizado e com sentimento de pertença, acaba interagindo e se dedicando muito mais — estejamos a falar de uma empresa, de uma nova profissão ou de uma nova versão de ti mesmo.
O processo de estagnação traz consigo um preço elevado. Estudos mostram que os ambientes em que as pessoas se sentem desmotivadas ou retidas em funções sem significado, estão associados a maiores níveis de stress, ansiedade e doença emocional (Seligman, 2002; WHO, 2019). Já quando falamos de mudança, há lugar à ativação do sistema de recompensa cerebral, que promove a sensação de conquista e satisfação.
O executive coaching é hoje uma das abordagens mais eficazes para facilitar esse processo de mudança. Explora as tuas aspirações, ajuda-te a desenvolver competências e cria estratégias individuais para cada momento da tua vida. Com o apoio de um coach profissional, a transição deixa de ser solitária e passa a ser estratégica. Aprendes a tomar decisões com mais clareza, comunicar-te com mais impacto e alinhar a tua carreira com os teus valores.
Num mundo em constante mudança, quem evolui por dentro tem mais força para se reinventar por fora. Não se trata de “começar do zero”, mas de começar do centro: de dentro para fora. A tua melhor versão já está em construção — e o próximo passo pode ser hoje.
“O que farias se não tivesses medo de falhar?”
Esta pergunta que aparentemente pode parecer simples, é na verdade uma das mais complexas e poderosas que podemos fazer, ao mesmo tempo que uma das mais difíceis de se conseguir responder.
Isso porque, por trás desta questão está uma emoção universal que nos acompanha desde sempre: o medo de falhar.
A grande questão é que o medo de falhar faz-te desistir muito antes de poderes saber se realmente falharias ou não!
Mas como se explica exatamente esse medo? De onde vem? E como nos distancia da vida que realmente queremos ter?
Do ponto de vista da psicologia comportamental, o medo de falhar é uma resposta emocional que se aprende e que está associada às experiências anteriores de punição, de crítica ou de rejeição. Desde pequenos que somos condicionados — muitas vezes de forma inconsciente — a evitar os erros. Começa na escola, quando somos avaliados pelos acertos; em casa, pelos comportamentos “certos”; mais tarde no trabalho, pelos resultados apresentados. Esse padrão vem reforçar a ideia de que errar é perigoso. Com o tempo, o medo deixa de ser racional e passa a ser automático e a aparecer camuflado, mas a condicionar as nossas ações e decisões do dia-a-dia.
A explicação biológica para isto vem da ativação da nossa estrutura cerebral ligada à resposta de luta ou fuga – a amígdala. Quando sentimos medo, o cérebro interpreta a situação como sendo uma ameaça, mesmo que, aparentemente não seja um perigo real. Nesse momento liberta-se cortisol e adrenalina, que são as hormonas do stress e que vão acelerar o batimento cardíaco, bloquear o raciocínio lógico e colocar-nos num estado de alerta.
Ou seja: só o fato de pensar que podes falhar, já podes estar a paralisar a tua capacidade de agir.
Mas o medo, por mais desconfortável que seja, tem uma função adaptativa muito importante para o ser humano – a de proteção. A questão é que perceber qual o ponto de equilíbrio. Quando deixamos que o medo seja a base para as nossas escolhas, acabamos por viver vidas que não nos pertencem. Acabamos por evitar desafios, sabotamo-nos e até alimentamos a crença de que não somos bons o suficiente. Isso, gera em nós sentimentos de frustração, de baixa autoestima e, em grande parte das situações, ansiedade ou depressão (American Psychological Association, 2020).
E é aqui que entra a questão que te vai transformar:
- E se o fracasso fosse apenas uma etapa da tua vida?
- E se fosse o degrau necessário para o teu crescimento?
Estudos desenvolvidos com base na Psicologia positiva e na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), mostram que as pessoas que entendem o erro como parte do processo de aprendizagem, têm mais sucesso, são mais resilientes e adquirem maior bem-estar emocional (Dweck, 2006). Estas pessoas não têm menos medo, apenas aprendem a não deixar que o medo tome o controlo da sua vida.
Além disso, o medo de falhar também afeta o corpo e a saúde mental. Quando os níveis de medo crónico são altos, juntam-se a ele o enfraquecimento do sistema imunitário, a dificuldade de concentração, as insónias, a tensão muscular, os problemas digestivos e o risco de burnout (Sapolsky, 2004). Instala-se a sensação de estar “preso” numa vida que não reflete o verdadeiro “eu”.
Mas não desesperes, temos uma boa notícia para ti: com o acompanhamento de um especialista, é possível trabalhares as tuas crenças limitantes, teres perspectivas diferentes de interpretar o erro e adquirires ferramentas de inteligência emocional para criares uma nova relação com o teu medo — mais consciente, mais leve e mais funcional.
O cérebro aprende com repetição.
A mente evolui com consciência.
A vida muda com ação.
O mundo está em permanente mudança e quem não muda, vai ficar para trás. Mas mudar com medo é diferente de mudar consciente da sua importância, dos seus limites e da forma como o podes superar para prosseguir.
A verdadeira liberdade não é viver sem medo, é saber que o medo não comanda a tua vida.
Cristina Soares
Psicóloga Clínica e Coach focada no desenvolvimento individual, gestão de carreira e de equipas, liderança e Top Management.
