O mundo online aparenta ser perfeito, desde o que se comenta nas redes as fotos de corpos esculturais, mas será isso o espelho das vidas diárias?
Vidas essas com azáfama, trânsito, duvidas, crises existenciais, emoções ao rubro, aparente falta de tempo e procrastinação infinita…
Sabemos que é mais difícil devido a essa mesma azafama construir relações substanciais, até pela falta de introspeção vista nas pessoas que chegam até às consultas de psicologia. Se não tenho tempo para olhar para mim mesma, como vou ter tempo de nutrir uma relação com outra pessoa ainda mais complexa que eu?
Fala se de relações tóxicas, mais do que nunca, mas também podemos cair no extremo que considerar qualquer desalinhamento uma relação tóxica… Se no meio da azáfama, esquecemos ou deixa de ser uma prioridade cuidar do nosso parceiro, a foto que os nossos vizinhos publicaram vai parecer mais feliz que a nossa. Como não?
Resta a ação face a isso: lamentação ou mudança. As relações não são fáceis e sem esforço, envolve partilha diária, investimento. Sim, é suposto serem fluidas, mas não são todas tão simples como nos contos de fadas.
Claro que a partilha do casal vizinho ou do colega de trabalho vai parecer paradisíaca, mas não sei que dificuldades passaram até chegar a esse momento.
A facilidade em apontar que a relação deve estar a desmoronar se ou até que o vizinho parece melhor parceiro do que o nosso é uma forma de autossabotagem, em que a pessoa em vez de se decidir por perceber se há espaço para melhorar o que tem, vai ambicionar o que é do vizinho. Por parecer descomplicado, livre de compromissos. Apenas para perceber que, ao se envolver, vai acarretar esforço mútuo como qualquer relação.
Se até na relação connosco próprios, é fácil cair no desleixo, em não afazer atividades prazerosas, seguir postura de fazer menos, como seria fácil atender às nossas necessidades emocionais e as de um parceiro, equilibrando as ao mesmo tempo?
Venho apelar ao maior surgimento da inspiração em vez da comparação incessante. Em vez de desvalorizar as conquistas dos outros e das suas relações, procurar perceber como conseguem lidar com a imprevisibilidade das suas vidas e encontrar motivação para se entregarem a uma causa de felicidade mútua, uma relação.
Por: Lúcia Menezes
Foco em Perturbação de ansiedade, humor, trauma complexo, luto e perturbação borderline e narcisista da personalidade

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