A assertividade é frequentemente vista como o ponto de equilíbrio entre a passividade e a agressividade, uma dança ao longo dessa linha, onde ora nos aproximamos mais de um extremo, ora do outro, sem nunca nos fixarmos ou ultrapassarmos nenhum dos polos.

Imagina esta linha: num contexto tranquilo, em que não há ameaça à tua identidade ou direitos, podes inclinar-te mais para o lado da passividade. Neste caso, estás receptivo, vulnerável, com as defesas em baixo, o que é apropriado à situação. Por outro lado, quando o contexto é hostil, quando os teus direitos são desrespeitados ou a tua identidade é atacada, aproximas-te mais do lado da agressividade, ativando defesas e colocando limites. Ambos os movimentos podem ser assertivos porque respeitam e respondem ao que a situação pede.

Mas há algo mais, algo que acredito ser fundamental e que talvez nem sempre seja tão claro: a assertividade não começa no que expressas para fora. Começa no que descobres dentro de ti. Antes de conseguires afirmar-te, precisas de saber o que estás a sentir e de onde vêm as tuas reações. Reconhecer o que te ativa, onde algo te tocou, quais são as tuas necessidades subjacentes – este trabalho interno é a base de tudo.

Se estou a trabalhar contigo como psicóloga e o nosso objetivo é fortalecer a tua capacidade de seres mais assertivo, não vou começar por treinar frases ou gestos contigo. Vou começar por ajudar-te a mergulhar em ti. Vamos perceber juntos o que te move, o que está por trás das tuas reações emocionais. O que precisas? O que foi negligenciado ou desrespeitado que agora pede cuidado e atenção?

Sem este mergulho interno, o treino da assertividade corre o risco de ser superficial, vazio, sem raiz. Podes aprender a dizer palavras “certas”, mas, sem que essas palavras nasçam de um lugar verdadeiro, não vão ter o impacto que desejas. Podem até perder-se facilmente quando as emoções ficam mais intensas, porque faltou o trabalho de dar espaço e nome às tuas experiências internas.

A assertividade é mais do que um comportamento. É um processo. Cresce de dentro para fora, mas também precisa voltar ao dentro para se renovar e reposicionar. É como uma respiração: inspiras para te conectares contigo mesmo, expiras para te afirmares no mundo. E essa dança constante entre interior e exterior é o que a torna verdadeira e sustentável.

Por isso, a assertividade não é só dizer “não” ou pedir o que precisas. É primeiro encontrares-te. É, como diria Carl Rogers, apessoa-te – tornares-te mais plenamente quem és, com consciência das tuas necessidades e do teu mundo emocional. E só a partir daí consegues expressar-te com autenticidade e força, com respeito por ti e pelo outro, num equilíbrio dinâmico entre passividade e agressividade que se adapta ao que a vida te pede em cada momento.