A falta de comunicação entre jovens e pais tornou-se uma realidade preocupante. Apesar de vivermos numa era em que os meios de comunicação são abundantes, o diálogo dentro de casa é muitas vezes negligenciado. Este distanciamento tem, na grande maioria dos casos, implicações significativas, tanto para a relação familiar, quanto para o desenvolvimento emocional dos jovens.

Um dos principais fatores que contribui para esta barreira comunicativa é a diferença de gerações. Pais e filhos têm, inevitavelmente, perspetivas e experiências de vida muito distintas, dificultando a empatia e a compreensão mútua. Além disso, o ritmo acelerado do quotidiano moderno faz com que os momentos de convívio em família sejam frequentemente substituídos por rotinas individuais e pelo uso excessivo de dispositivos eletrónicos (maioritariamente os telemóveis e os tablets).

Quando o diálogo se perde, surgem consequências muito graves. Jovens que não encontram nos pais um espaço seguro para expressarem/partilharem os seus sentimentos e preocupações, tendem a procurar apoio em fontes externas, como amigos ou redes sociais, que nem sempre oferecem conselhos adequados e algumas vezes até têm o resultado oposto do pretendido. Isto leva a sentimentos de solidão, baixa autoestima e até problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão.

Por outro lado, os pais, ao não manterem/ incentivarem uma comunicação aberta, perdem a oportunidade de conhecer melhor as necessidades e desafios dos filhos. Este afastamento dificulta (e muito!) o acompanhamento do desenvolvimento dos jovens e a identificação precoce de sinais de alerta (e.g. bullying, stress escolar ou outros problemas emocionais), criando muitas vezes uma situação “bola de neve”, que se vai auto alimentando e perpetuando no tempo, criando cada vez um afastamento ainda maior e em mais áreas diferentes das vidas de todos os envolvidos.

Dos jovens que acompanho e dos casos que me chegam, noto que, cada vez mais, existe uma barreira entre pais e filhos. Nem os filhos conhecem os pais, nem os pais conhecem os filhos. Não se compreendem, têm receio de se tornar vulneráveis, evitam falar, entram muitas vezes em conflito, e, no fundo, tudo isto acontece porque não há uma comunicação saudável. Na grande maioria dos casos, o meu trabalho (e dos psicólogos que trabalham com adolescentes), passa muito por construir pontes entre os pais e os filhos, abrir as portas da comunicação assertiva, empática e com base no respeito, treinando a escuta ativa. Componente este fulcral na comunicação e nas relações, e que muitas vezes não está presente: o ouvir verdadeiramente a pessoa, sem julgamentos, sem interromper, ouvir “só”. Promover o diálogo é, portanto, essencial. Exige esforço mútuo: os pais devem estar disponíveis e dispostos a ouvir sem julgamentos, enquanto os jovens precisam sentir-se encorajados a partilhar as suas emoções e ideias. Práticas como refeições em família sem distrações tecnológicas ou momentos reservados para conversas podem fortalecer os laços e criar um ambiente de confiança.

A comunicação aberta entre jovens e pais não é apenas um pilar das relações familiares, mas também uma ferramenta indispensável para o desenvolvimento emocional e social. Investir no diálogo é investir no bem-estar e na felicidade de todos os membros da família.