Provavelmente já ouviste falar de burnout, provavelmente conheces alguém que sofre ou já sofreu de burnout ou tu próprio/a já passaste ou estás a passar por isto. É cada vez mais frequente ouvirmos falar de burnout, conhecer histórias de perto ou até passar por isto, pois vivemos numa cultura que fomenta a romantização do excesso de trabalho e produtividade. Apesar de poder não estar apenas associado ao trabalho, sabemos que a sua origem laboral tem impacto na vida pessoal.
O burnout é um estado de exaustão emocional, física e mental causado pelo stress prolongado. O sacrifício pessoal em prol do sucesso profissional, a pressão laboral constante e a falta de descanso e momentos de lazer, “desligados” do trabalho, tornam-se insustentáveis e com consequências físicas e mentais graves. É muito mais do que estar cansado ou stressado e manifesta-se através da exaustão emocional (sentimentos de impotência ou fracasso, irritabilidade ou apatia) , de sintomas físicos ( fadiga, dores musculares, dificuldade de concentração, dores de cabeça, alterações de apetite e sono), menor realização e motivação profissional (diminuição da produtividade e envolvimento no trabalho, procrastinação, perda de motivação e satisfação, avaliação negativa do trabalho e da forma como desempenhas as tuas funções) e menos bem-estar e satisfação com a vida em geral (isolamento, deterioração de relações familiares e sociais, menor desempenho nas tarefas quotidianas). O burnout pode afetar qualquer pessoa independentemente do seu género, profissão ou idade e segundo o STADA Health report 2022, mais de metade da população portuguesa, 57%, afirma já ter estado perto de um BURNOUT. Portanto, isto é sério, grave e deve ser evitado.
Deixo-te aqui algumas formas de equilibrares a tua vida pessoal e profissional, de cuidares de ti e evitares que o teu “eu profissional engula o teu eu pessoal”:
- Estabelece limites claros entre o trabalho e a vida pessoal: respeita os horários de início e término do teu dia de trabalho, evita levar o trabalho para casa, desconecta-te dos dispositivos de trabalho fora dele;
- Organiza de forma realista e humanamente possível as tuas tarefas, evita sentir-te sobrecarregado/a: usa uma lista, subdivide as tarefas, delega se possível:
- Estabelece uma comunicação assertiva no trabalho e respeita os teus limites;
- Faz pausas conscientes ao longo do dia;
- Tira férias, o descanso não é preguiça é necessidade;
- Pratica estratégias de gestão de stress e bem-estar: meditação, mindfulness, exercícios de respiração, atividade física;
- Prioriza o autocuidado: dorme bem, alimenta-te de forma equilibrada, pratica hobbies, se ler te faz bem mantém a tua leitura em dia;
- Passa tempo com quem amas;
- Mantém as tuas relações sociais;
- Mantém-se ligado com o teu eu pessoal e social;
- Procura ajuda profissional antes de chegares ao teu limite.
Por: Verónica Rijo
Psicóloga Clínica focada em Perturbações de Ansiedade e do Humor, Luto, Autoestima e Autoconhecimento.
